segunda-feira, 3 de julho de 2017

Afinal, o que significa namaste?

Por Cláudio Lasas

Essa história de que namaste significa "O Deus que habita em mim saúda o Deus que habita em você" não faz sentido, é pura lenda.

Namaste é a junção de duas palavras:
- namas, que significa o ato de curvar-se, cumprimento, reverência, saudação reverencial, adoração; e
- te, que é a forma dativa do pronome tvam (tu), ou seja, significa "a ti".

Assim, namaste significa literalmente "reverência a ti", "cumprimento a ti".

Namas tem o sentido de adoração somente quando dirigido a um deus e, nesse caso, não se usa o te, mas sim o nome da divindade. Por exemplo, namaḥ Shivaya (adoração a Shiva, glória a Shiva).

Esse mito de que namaste significa "O Deus que habita em mim saúda o Deus que habita em você" pode ter origem na crença, compartilhada pelo hinduísmo, pelo yoga e pelo budismo, de que por trás de nossa aparência humana somos em essência perfeitos, infinitos e imortais, o que nos torna muito parecidos com o Deus ocidental. Entretanto, de acordo com essas mesmas filosofias, nossa essência, apesar de perfeita, infinita e imortal, é também indiferente e, portanto, jamais poderia afetar-se por algo externo, cumprimentar ou reverenciar outro ser. Nossa alma encontra-se em eterna contemplação de si mesma, num estado de puro prazer chamado ānanda.


Namaste é usado sempre para cumprimentar ou iniciar uma conversa. Nas práticas de yoga, usa-se para iniciar ou finalizar o evento.  É acompanhado da união das palmas das mãos em frente ao peito, em sinal de reverência.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Qual é o certo: a ioga, o yoga ou o yôga?

por Cláudio Lasas

O correto é o yoga, transliteração pelo IAST* do termo योगः. Como todas as palavras do sânscrito terminadas em "a" breve, yoga é um substantivo masculino e significa "o ato de jungir, de unir, de juntar, de atrelar (o jugo ou a canga aos cavalos)".  De acordo com o Bhagavadgītā, somos como uma carruagem puxada por cinco cavalos que representam nossos sentidos. Dessa maneira, o yoga seria a ferramenta usada para controlar nossos sentidos e colocá-los a serviço de nossa mente, de nosso corpo e, principalmente, de nosso espírito.

A grafia ioga é uma tropicalização incorreta, pois "i" é uma vogal, enquanto a letra original (y), por ser uma semivogal, não desempenha o papel de núcleo silábico e forma com a vogal "o" uma só emissão de voz. Ocorre que entre 1945 e 1990, o alfabeto português excluía as letras "k", "w" e "y", por considerá-las exclusivamente estrangeiras.

A letra "o" da palavra yoga tem pronúncia fechada, como sempre acontece no sânscrito para as letras "e" e "o". A pronúncia do "o" aberto vem provavelmente da influência carioca, uma vez que o yoga entrou no Brasil pelo Rio de Janeiro. Diante disso, alguns praticantes começaram a usar a palavra com acento circunflexo (yôga), o que é totalmente incorreto tanto de acordo com o IAST quanto pelas regras ortográficas de nossa língua, que não permitem acentuação de palavras paroxítonas terminadas em "a".  Caso contrário, palavras como  sopa, lona, moça e moda teriam que ser escritas sôpa, lôna, môça e móda.

Namaste


* International Alphabet of Sanskrit Transliteration (alfabeto internacional de transliteração sânscrita)

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Yoga e Alimentação

por Cláudio Lasas


De acordo com o Yoga, o corpo nos ajuda a atingir a iluminação e, por isso, os iogues preocupam-se com a saúde, praticando relaxamento adequado, exercício adequado, respiração adequada, pensamento adequado e dieta adequada. A alimentação é, portanto, um dos pilares dessa tradição milenar, com o objetivo de dar ao corpo nutrientes de boa qualidade e purificá-lo de toxinas, mantendo o bom funcionamento de células, órgãos e tecidos.

O praticante costuma observar alguns preceitos durante as refeições:
- Em primeiro lugar, comer com consciência e tranquilidade, adotando uma atitude pacífica e silenciosa, porque dessa forma é mais fácil perceber quando já se comeu o suficiente. Diz-se que a cada refeição devemos comer apenas o que cabe nas palmas de nossas mãos. No mesmo sentido, devemos comer regularmente, mas somente quando tivermos fome, adotando a máxima de "comer para viver, não viver para comer".
- Respeitar o alimento e perceber que sua energia será absorvida pelo corpo. Nosso corpo físico é chamado, em sânscrito, de corpo de alimento, nome que enfatiza que somos o que comemos. Alimentos sem energia vital (prana) como a carne são evitados, como veremos adiante. Mesmo ao cozinhar, nossas emoções são transmitidas ao alimento e por isso devemos estar em paz no momento do preparo das refeições.
- Hábitos que dificultam a digestão são evitados: comer frutas nas grandes refeições, ingerir leites ou alimentos pesados à noite, tomar muito líquido durante as refeições principais, tomar água gelada, mastigar mal, comer muito, combinar mais que 5 comidas diferentes por refeição etc.
- Jejuar um dia por semana, para que o corpo possa livrar-se de toxinas e resíduos - não é um jejum completo, mas parcial, com ingestão de alimentos bem leves.

O Yoga acredita que o universo como um todo é formado pela combinação de três gunas ou qualidades da matéria: rajas, tamas e sattva.  As escrituras ioguicas dividem portanto também os alimentos em rajásicos, tamásicos e satívicos.

Rajas é a qualidade do que é estimulante e por isso os alimentos rajásicos trazem inquietude, despertam paixões e destroem o equilíbrio entre corpo e mente, impedindo a meditação. Fazem parte desse grupo cebola, alho, sal, temperos fortes, café, chá, tabaco, alimentos industrializados, açúcar refinado, refrigerantes e chocolate ("os homens rajásicos preferem o que é amargo, azedo, ardente, picante, bem salgado e fortemente temperado, que lhes excite o apetite e estimule o paladar, porém que, finalmente, lhes acarrete moléstias, dores e enfermidades." Bhagavad-Gitâ 17-9).
Tamas é o guna da inércia. Alimentos tamásicos são impuros ou podres, não contêm prana e por isso deixam o corpo pesado e lento demais para pensar com clareza, causando preguiça e aborrecimento. São exemplos desse grupo carne, peixe, ovos, cogumelos, alimentos embalados ou cozidos demais, fermentados, queimados, fritos, assados, requentados, vencidos, alimentos com conservantes, álcool e drogas. Comer muito também é considerado tamásico ("aos homens tamásicos apetece alimento rançoso, estragado, insulso, putrefato, corrompido e ainda as sobras de comida e outras imundícies." Bhagavad-Gitâ 17-10).

A dieta ioguica privilegia portanto os alimentos satívicos, integrais e deliciosos naturalmente, sem conservantes ou corantes artificiais, que trazem pureza, acalmam a mente e aguçam o intelecto. Diferentemente do que se possa pensar, há um grande número de opções neste grupo, que inclui frutas frescas e secas, vegetais crus ou apenas levemente cozidos, saladas, grãos, legumes, nozes, sementes, pães integrais, mel, ervas frescas, laticínios (o único grupo de alimentos de origem vegetal que em geral faz parte da dieta ioguica, que é por isso lacto-vegetariana), sucos de frutas e chás de ervas. Facilmente digeridos e dando muita energia, esses alimentos aumentam nossa vitalidade, força e resistência, eliminam o cansaço, mesmo para quem desempenha trabalhos extenuantes ("o alimento mais agradável ao homem puro é aquele que aumenta a vitalidade, o vigor, a saúde, preserva da doença e traz o contentamento e a calma de espírito. Tal alimento tem bom sabor, mata a fome, não é nem demasiado amargo, nem demasiado azedo, nem salgado demais, nem muito quente, picante ou adstringente." Bhagavad-Gitâ 17-8).

A escolha dos alimentos reflete o nível de evolução do iogue. Entretanto, aqueles que, apesar de ainda terem o hábito de consumir muitos alimentos rajásicos ou tamásicos, almejam melhorar sua alimentação, devem ter paciência para promover mudanças lentas e graduais em sua dieta, a fim de que a mudança não se transforme em frustração.

Limpezas

O Yoga possui diversos kryias, ou seja, práticas de limpeza e purificação. Muitos ásanas (as conhecidas posturas de hatha yoga) massageiam órgãos vitais e estimulam os movimentos peristálticos, contribuindo assim para uma boa digestão, facilitando a eliminação pelo corpo de toxinas e promovendo uma melhor circulação de energia. O nauli, por exemplo, é uma automassagem da região abdominal. Tudo isso se coloca como um contraponto à ociosidade e à poluição, típicos da vida moderna nas grandes cidades, que tornam nosso corpo lento e sobrecarregam nossos rins e fígado.

O próprio jejum semanal é considerado uma limpeza, uma vez que dá ao nosso organismo tempo suficiente para digerir os alimentos, assimilar o que é útil e eliminar excessos, aumentando a eficiência do organismo.

Vegetarianismo

Nem todo iogue é vegetariano, mas há vários aspectos na tradição que o conduzem ao vegetarianismo ou, pelo menos, a uma drástica redução no consumo de carne.

Em termos de impacto sobre nossa saúde, a carne contém muita gordura, muito colesterol e pouca fibra, ao passo que os vegetais contêm pouca gordura, pouco colesterol e muita fibra. Além disso, pesticidas, químicos e antibióticos pulverizados em plantações são ingeridos pelos animais e ficam impregnados na carne, em fenômeno conhecido como bio-amplificação. Com isso, uma dieta sem carne reduz significantemente os níveis de colesterol, problemas cardíacos, artrite, ácido úrico, gota, obesidade, diabetes relacionado a dieta, constipação, calculo biliar, pressão alta e câncer.

Além disso, há outras questões que são levadas muito a sério pelo praticante:
- Aspecto ético: Ahimsa, ou não-violência, é o princípio mais importante da filosofia ioguica e que leva o praticante a não causar sofrimento a qualquer ser vivo, respeitando todos os seres. Os animais criados pela indústria alimentícia passam a vida confinados e controlados e o momento do abate é carregado de medo e de dor. Do ponto de vista do Yoga, o homem não tem o direito de usar sua supremacia para dominar e matar seres que sejam vulneráveis.
- Aspecto energético: todo medo e toda dor sofridos por um animal abatido são incorporados ao nosso corpo no momento da ingestão da carne, tornando nossas próprias emoções difíceis de controlar.
- Aspecto ambiental: a criação de gado é cara, dispendiosa, provoca devastações e consome grandes quantidades de água. Anualmente, áreas gigantescas são transformadas em pasto. Não menos importante, o gado bovino emite enormes quantidades de metano, gás que é um dos maiores responsáveis pelo aquecimento global.

- Aspecto político: em nosso planeta, a fome assola quase 1 bilhão de pessoas. A desnutrição causa a morte de uma criança a cada 2 segundos e de 60 milhões de pessoas todos os anos. Entretanto, nos países pobres a comida tem sido  sistematicamente usada para alimentar animais de corte, que depois são exportados para países mais ricos. Enquanto isso, nos países desenvolvidos o consumo de carne leva a altos índices de obesidade, contribuindo para o consumo indiscriminado de produtos e medicamentos para emagrecer. Se todo o alimento produzido na terra fosse destinado à alimentação humana, seria o fim da fome no mundo.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Somos Todos Zumbis

por Cláudio Lasas

Malho dentro do shopping, minha academia fica no segundo subsolo. Lá dentro nunca tinha sinal, por isso me acostumei a deixar o celular dentro da bolsa, no vestiário. Graças a Deus!!! É um dos raros momentos do dia em que me liberto, consigo andar sem ter que carregar esse aparelhinho que praticamente virou uma extensão do meu próprio corpo. Quando saio sem o celular na rua, me sinto nu e me acompanha um medo estranho, parece que alguma desgraça vai acontecer e não vou ter como pedir ajuda.

Ano passado, quando mudei de operadora, descobri que para operadora nova o sinal lá dentro até que funcionava, de vez em quando. Mesmo assim, decidi continuar deixando o aparelhinho dentro da bolsa. Afinal, não faz sentido algum levar o celular para malhar – quero me concentrar nos exercícios e o celular só atrapalha.  Mas as outras pessoas que malham lá pensam diferente. Frequentemente, vejo gente sentada nos aparelhos de musculação com aquele olhar entretido com alguma coisa na telinha. Às vezes a pessoa se perde mesmo, fica totalmente hipnotizada pelo celular e nem percebe o quanto isso incomoda quem quer usar o aparelho e tem que ficar esperando. Quando a paciência da pessoa que está esperando chega ao limite, ela é obrigada a dar aquela tossidinha e perguntar “Oi, falta muito? Podemos revezar?”. Geralmente, a outra pessoa, a hipnotizada, não atende de primeira, espera que tussam mais umas 3 ou 4 vezes e que perguntem de novo, com a voz um pouco mais alta. Aí ela olha como se estivesse ela se sentindo incomodada, responde com um ar blasé “Faltam só mais duas” e continua empatando o aparelho, como se fosse dona da academia.

Semana passada, uma garota simplesmente parou no corredor, no meio do caminho entre um aparelho e outro, para ficar lendo o celular. Ela estava de costas para mim e tive a impressão de estar dentro de um desses filmes americanos sobre zumbis ou mortos-vivos. A cena me impressionou de verdade, achei que a garota ia se virar com aquele rosto desfigurado de clipe do Michael Jackson e começar a correr atrás de mim.

É muito interessante, para não dizer desesperador, olhar para as pessoas na praça de alimentação, nos restaurantes, no metrô, nos cafés, enfim, em qualquer lugar em que haja gente sentada. Nove em cada dez pessoas passam o tempo todo olhando para a telinha do celular. A que ponto chegamos? Que lavagem cerebral é essa que estão fazendo conosco?

Claro, também sou uma dessas pessoas alienadas, também fico totalmente entretido com o facebook, com o instagram, com o whatsapp e com todos os outros instrumentos de dominação em massa que eu mesmo instalei no meu aparelhinho (e detalhe: instalei por conta própria, ninguém me obrigou). Mas outro dia aconteceu algo inusitado: meu celular caiu na calçada e a tela ficou estilhaçada. Desesperado, fui à Paulista e deixei para arrumar num desses lugares de eletrônicos que parecem uma filial da Santa Ifigênia. Pediram para deixar lá por 40 minutos – 40 longos minutos, uma verdadeira eternidade. Aproveitei para andar pela Paulista, mas confesso que foi estranho. Perdi totalmente a noção do tempo (não uso relógio de pulso, me incomoda) e minha paciência estava curta. Faltando ainda uns 15 minutos, entrei no Fran’s Café e, enquanto comia um lanche, fiquei observando a rua e as pessoas. Foi uma experiência nova, redescobri o prazer de fazer parte do mundo real – não no mundo virtual. Queria ter essa experiência mais vezes.


Já pensei em tirar umas férias do meu celular, começar a deixá-lo em casa quando sair para passear, sei lá, para me sentir dono de mim mesmo novamente. Me lembro como era antes de inventarem o celular, me sentia livre e nem me dava conta. Mas, por mais que eu tente, essa birosca parece que está grudada no meu corpo, não consigo ficar longe. Acordo e a primeira coisa que eu consulto é a telinha dos infernos. Tomo café com ele do lado, saio de casa com ele no bolso, tomo banho com ele perto do box e, quando vou dormir, deixo-o carregando pertinho da minha cama. Coisa do diabo! Por enquanto, só consigo mesmo me libertar quando estou na academia ou quando derrubo o celular na calçada e tenho que mandar consertar. Fora isso, sou um zumbi como qualquer outro paulistano.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Japamala: o que é, como é feito, para que serve e como se usa?

por Cláudio Lasas

O que é?
Japamala (japamālā, जपमाला) é um cordão sagrado feito de contas, usado para ajudar o praticante de meditação a entrar no estado meditativo. O nome japamala é masculino ("o" japamala), tem origem no sânscrito e é uma palavra composta: japa é o ato de sussurrar ou murmurar repetidamente mantras ou nomes de divindades e mālā significa guirlanda, grinalda ou coroa. Dessa forma, podemos chamá-lo de japamala ou simplesmente de mala, quando queremos referir-nos ao cordão físico contendo as contas. O japamala tem origem na tradição hinduísta do yoga, mas é usado também pelos budistas e provavelmente influenciou os católicos na criação do rosário ou terço.

Como é feito?
O mala tradicional do hinduísmo contém 108 contas, mas há também malas com 54 ou 27 contas (sempre múltiplos de 9). O número 108 sempre foi considerado auspicioso pelos yogues, pois acreditavam que a distância entre a Terra e o Sol equivalia a 108 vezes o diâmetro do Sol e, igualmente, que a distância entre a Terra e a Lua era igual a 108 vezes o diâmetro da Lua. Além disso, o número 9 representa o imutável, o absoluto (Brahman), uma vez que o produto da multiplicação de qualquer número por 9 é sempre 9. Os japamalas budistas contêm um marcador a cada 27 contas - o japamala de 108 contas possui, portanto, 3 marcadores. As contas podem ser feitas de vários materiais: sementes de rudraka, sementes de açaí, madeira ou pedras naturais. Além das contas, o japamala necessariamente deve conter uma conta que destaca-se das demais, o meru. Na mitologia hindu, o topo do monte Meru é a morada do deus Brahma e o lugar de encontro de todos os deuses - o equivalente ao Olimpo grego. Junto ao meru, o japamala geralmente é decorado com um tassel.

Para que serve?
O processo meditativo envolve diversas fases em que o praticante percorre um caminho de fora para dentro. O processo tem início com a observância cotidiana de preceitos éticos e morais no relacionamento com os outros e consigo mesmo e se completa quando o meditante coloca-se em postura adequada e passa a controlar a respiração, retraindo os sentidos, diminuindo a amplitude e o volume dos pensamentos, concentrando-se num único ponto e, finalmente, abandonando esse único ponto para experimentar o êxtase resultante do não-pensar. Uma das fases mais difíceis para o meditante é justamente a que diz respeito ao controle dos pensamentos e à concentração, pois a mente começa a divagar sem que o praticante perceba e, ao dar-se conta, já está pensando nas contas a pagar, nos compromissos do dia seguinte, nas situações estressantes pelas quais passou durante o dia e nos ruídos que o cercam. Ao repetir um mantra ou o nome de uma divindade, o meditante constroi para si uma base a partir da qual fica evidente qualquer distração ou divagação, possibilitando o retorno imediato da mente a essa base. Aliás, a palavra mantra, que também vem do sânscrito e traduz-se por verso místico ou fórmula mágica, significa também proteção da mente, uma vez que resulta da palavra manas (mente) aliada ao termo tra (proteção). Com o japamala em mãos, o meditante pode concentrar-se totalmente no mantra ou palavra que escolheu entoar, sem preocupar-se em contar o número de vezes que os entoa. Com isso, o praticante consegue relaxar, aprofundar sua respiração, acalmar a mente e atingir estados profundos de controle mental, ligando-se à sua natureza essencial.

Como se usa?
Já com a postura e a respiração controladas e relaxadas, o meditante segura seu japamala com uma das mãos. Apoiando-o em seu dedo médio, usa o polegar para puxar cada uma das 108 contas; cada vez que o mantra ou o nome da divindade é mentalizado ou pronunciado, puxa-se uma conta. O dedo indicador não deve tocar as contas do japamala, pois representa o ego e está associado ao pensamento - e o objetivo da meditação é justamente o de suspender a ação do pensamento. O meru não deve ser contado como as demais 108 contas, porque é a representação de Brahman, do absoluto, de nosso aspecto eterno e imutável e por isso está fora da roda do samsara, entretanto é o meru que marca o início e o final do ciclo do japamala. Terminando a passagem pelas 108 contas, caso o praticante queira continuar e fazer mais uma volta, não deve passar por cima do meru; em vez disso, deve virar o cordão e continuar a fazer o japa na direção inversa. Para surtir efeito, a prática da meditação deve ser frequente.

Mais do que um cordão físico de contas, o japamala é um objeto devocional e pode, sempre que desejado, ser usado no corpo, no bolso, na bolsa, no pulso ou ficar próximo ao meditante, como uma agradável lembrança da presença do sagrado em sua vida. Quando quiser guardá-lo, deve escolhe um lugar limpo e relevante - de preferência perto ou ao redor da estátua de sua divindade de devoção.


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